Região

Servidores de Ourinhos podem entrar em greve nesta semana

 

 

Reunidos em mais uma assembleia os servidores municipais de Ourinhos deliberaram, neste sábado, 25, deflagrar greve para a próxima sexta-feira, dia 31. A categoria – que já havia decidido optar pelo indicativo de greve caso o Executivo não melhorasse a última contraproposta – compareceu em massa na assembleia deste sábado.

 

Imprensa Sindicato dos Servidores

 

Segundo o sindicato, a posição da imensa maioria dos servidores, que foi acatada pela entidade, é a de que a contraproposta do Executivo simplesmente contraria o que, em campanha, o candidato e hoje prefeito Lucas Pocay fez questão de defender, que é a valorização dos servidores através do reajustamento de seus salários. Para o presidente do sindicato, Edinilson Ribeiro da Silva, o que o atual prefeito plantou,  acabou por colher. Edinilson é enfático:  “Não deixamos de reconhecer que muitos municípios atravessam uma crise em suas finanças. Mas mesmo assim, e inclusive nas cidades que compõem a base territorial do nosso sindicato, conseguimos avançar muito mais do que em Ourinhos, com reajustes significativos em benefícios como auxílio alimentação e aplicação da inflação nos salários dos servidores, situação que deveria ser ponderada pelo atual prefeito”.

 

Contraproposta ínfima, denunciam os servidores

Enquanto o sindicato defende a recomposição da inflação, que está em 4,69%, além da correção do vale alimentação e sua universalização (atualmente apenas os servidores até o nível nove, ou seja, aqueles que recebem, em média, dois salários mínimos, são beneficiados pelo benefício), a prefeitura ofereceu tão somente 2% nos salários, o que motivou uma mobilização sem precedentes da categoria. O presidente do sindicato reconhece o fato de que muitos servidores votaram no atual prefeito, eleito com mais de 80% dos votos, acreditando que suas propostas seriam postas em prática sobretudo neste momento em que as famílias atravessam uma crise sem precedentes. “Já fizemos três assembleias, todas com comparecimento de aproximadamente quatrocentos servidores, um indicativo de que o movimento é sério e demonstra uma enorme insatisfação”.

Na agenda do movimento, os servidores farão uma concentração em frente à Câmara Municipal, na próxima segunda feira, às 18 horas. Na ocasião, o legislativo estará votando os projetos de lei encaminhados pelo Executivo mesmo sem a aprovação dos trabalhadores.  

Carta aberta ao povo de Ourinhos

Não ao ódio!

 

Senhores e senhoras munícipes. Cidadãos ourinhenses, e mesmo os que não sendo daqui fizeram desta cidade sua morada. Esta carta é para vos dizer: não ao ódio! Todos sabem que os mais de 3.500 servidores municipais desta cidade estão em campanha salarial. Uma campanha que busca, sobretudo, garantir um mínimo de dignidade às pessoas que, no fim das contas, acabam por se responsabilizar pela manutenção dos serviços públicos de Ourinhos.

São estes servidores que ano a ano tem visto seus rendimentos serem diminuídos. Há aumento no salário mínimo, sempre garantido pelo índice da inflação. Mas não há o mesmo aumento no salário dos servidores. Ousamos dizer que a continuar esse quadro, logo todos, mas todos os servidores estarão a receber apenas um salário mínimo. 

Imaginem, senhores e senhoras, imaginem o sentimento de um professor, de uma professora, de um auxiliar de saúde, imaginem a angústia desses profissionais assistindo, ano após ano, uma desvalorização até então impensável nos seus rendimentos. De que adianta garantir atendimento nas creches, se quem lá trabalha recebe uma miséria, incapaz de garantir seu próprio sustento? De que adianta garantir vagas nas escolas se o professor não é nem de longe valorizado?

Este é o quadro a que assistimos hoje. E foi justamente para mudar esse quadro que mais de 80% dos eleitores resolveram confiar seus votos no atual chefe do executivo. Certamente este mesmo percentual foi observado junto aos servidores. Mas agora, agora que estes servidores sentam-se à mesa para apresentar ao Senhor Prefeito uma proposta mínima de valorização, a resposta que recebem é que não há dinheiro sequer para repor a inflação dos últimos doze meses.

Não há como ser dado um mísero percentual de 4,69%! Diante disso não existe alternativa a não ser chamar a atenção da população, desta mesma população que tal como os servidores confia numa nova forma de se fazer política.  E o instrumento para isso, previsto na Constituição, é a greve. O executivo está dizendo que uma greve de servidores, hoje, visa apenas trazer prejuízos à população. Chama a greve de irresponsável. Com isso, talvez sem se dar conta do grande equívoco que está cometendo, coloca a população contra os servidores.

O que vimos, tão logo o prefeito chamou a greve de irresponsável, foi uma chuva de comentários e discursos de ódio nas redes sociais. Alguns chamam os servidores de vagabundos, destilando puro ódio. Outros defendem nossa dignidade. A sociedade de Ourinhos, a partir da manifestação do Senhor Prefeito, corre o risco concreto de ficar dividida. E a quem interessa esta divisão? Aos oportunistas, que desde o início das negociações tem tentado tumultuar por terem perdido as eleições? Aos grupos opositores, que sobrevivem apenas para criticar sem apresentar propostas concretas, numa luta miserável pelo poder e sem nenhuma preocupação com a dignidade dos servidores?

É hora de demonstrarmos grandeza, de afastarmos do cenário qualquer tentativa de ódio, de divisão da sociedade ourinhense. Os servidores, assim como toda a população, merecem respeito. É o momento de fazermos desta negociação um espaço onde a seriedade esteja acima de qualquer interesse. O Brasil tem sido invadido por sentimentos de ódio que levaram ao afastamento de uma presidente eleita, e agora, em seu lugar, pessoas sem nenhum respeito para com os trabalhadores estão nos colocando numa situação de vulnerabilidade nunca antes vista.

Tudo fruto do ódio, fruto da irresponsabilidade de quem deve zelar por um ambiente de respeito. Nós, servidores, nos comprometemos a exercitar nossos direitos sem causar prejuízo à população. Nós, servidores, nos comprometemos a dar tudo de nós para que nosso trabalho garanta um serviço público de qualidade. Queremos, apenas, respeito e valorização.  E é por isso que não cansaremos de dizer: Não ao ódio!

 

 

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