Educação

Comissão escolhe textos de alunos de Santa Cruz para Olimpíada de Língua Portuguesa

 

 

Aconteceu na tarde da última quarta-feira (28/08), na Secretaria Municipal de Educação de Santa Cruz do Rio Pardo a escolha dos textos para a etapa estadual da 6ª edição da Olimpíada Brasileira de Língua Portuguesa, que se configura num concurso de produção de textos para alunos de escolas públicas de todo o país.

O tema das produções é “O lugar onde vivo”, que propicia aos estudantes estreitar vínculos com a comunidade e aprofundar o conhecimento sobre a realidade local, contribuindo para o desenvolvimento de sua cidadania. 

Participaram da Comissão Julgadora Municipal os professores José Magali Ferreira Junqueira, Marli Aparecida Oliveira Camilo dos Santos, Luciani Aparecida Cardoso, Maria Angélica Rego, Eduardo Cardoso de Souza e Renata Dezo Singulani.

Foram selecionados os seguintes textos:

Categoria Poema: A Bela Cidade Onde Moro – aluno Guilherme Tavares da 5ª C da escola Arnaldo Moraes Ribeiro

Categoria Memórias Literárias: Desempoeirando Histórias – aluno Pedro H. Ferrari Gazola da 7ª A da escola Arnaldo Moraes Ribeiro

Categoria Crônica: O Que é o Natal Hoje? – aluna Ana Clara Basseto Franciscon do 9º A da escola Arnaldo Moraes Ribeiro

Categoria Artigo de Opinião: Lugar Onde Vivo – A Problemática da Água – aluno Renan Antoniolli Maitan da 3º série da escola Zilda C. Monti


A Comissão Julgadora Municipal cumprimenta todas as escolas, professores, alunos participantes.


Compartilhamos a seguir o texto do aluno Pedro Henrique Ferrari Gazzola do 7°A da
EMEF “Prof. Arnaldo Moraes Ribeiro” selecionado na categoria Memória literárias.
Desempoeirando Histórias


“Eu tenho um baú guardado a sete chaves onde acomodo recordações da minha vida, algumas boas, outras ruins. As ruins devem ser mantidas bem guardadas, já as boas devem ser revividas, pois me fazem abrir um largo sorriso em meu rosto.

Nasci em um pequeno e pacato sítio, no interior do estado de São Paulo, em Santa Cruz do Rio Pardo, onde morei por doze anos mais ou menos.
Quantos fatos relembram esse lugar… Naquela casa de tábuas cheia de frestas, por onde o vento entrava e exigia que nos cobríssemos com acolchoados feitos de trapos e roupas velhas, além do telhado da casa fazer estalos à noite, éramos felizes, sempre brincávamos de boneca feita de sabugo e pano, pular corda, balanço (que fazia meu mundo literalmente girar), além de correr e brincar de pega-pega no pomar, onde tínhamos de escapar das vacas.

Nele arrecadei muitas lembranças principalmente em meu pé, por causa dos espinhos que penetravam nos pés descalços, mas era tudo resolvido com uma saudável mistura de urina de menino que era fervida com prego enferrujado em uma lata de ferro ou era passado “picomâ”, uma espécie de fuligem acumulada na chaminé do nosso quentinho fogão de lenha. Tínhamos o “trole” também, que era uma espécie de carroça com quatro rodas que sempre terminava no barranco, onde caíram muitas lágrimas.

Mas nem tudo era brincadeira, também havia o trabalho na lavoura do café, cuidar dos irmãos mais novos e da casa, além disso, acordava de madrugada para preparar a comida que serviria de lanche durante o intervalo das aulas (pois não havia merenda) e depois percorria cerca de dez quilômetros a pé, chegando à escola já cansada.

Ao voltar da escola, também a pé, ia trabalhar nos cafezais ali permanecendo até o sol de nós se despedir. Ao chegar em casa, nos banhávamos em uma única bacia, utilizando uma canequinha, jantávamos, rezávamos o terço e a saudosa ladainha de todos os santos e logo após com o lampião em mãos íamos dormir, descansando o corpo para suportar a jornada do dia seguinte.

Quase não tínhamos dinheiro, pois o rendimento do sítio era todo destinado ao financiamento das terras, motivo este pelo qual tive que abandonar os bancos escolares, cursando apenas até a quarta série. Já mais madura, ia a pequenos bailes (realizados em tulhas vazias) e em rezas, onde conheci meu marido, casamos e fomos morar no sítio de seus pais, lugar onde passamos muitas necessidades, pois com quase nenhuma ajuda podíamos contar,
porém, com muita fé e trabalho vencemos na vida e criamos nossos três filhos, apesar das dificuldades. Hoje observando meus quatro netos, vejo quão fácil está a vida diante das inúmeras tecnologias disponíveis e da mudança no papel da mulher na sociedade. Sinto, porém, esta mesma tecnologia afastando as pessoas e alienando-as, que não se divertem como antigamente.

Contudo,só me resta a agradecer e agora guardar mais esta recordação, contada ao meu neto Pedro, no valioso e singelo baú de minha vida”.

Comissão julgadora

 

 

 

 

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