Saúde

“Doença da urina preta” é intoxicação alimentar

 

 

Sintomas costumam aparecer até 24 horas após consumo de peixes e crustáceos contaminados

 

Apesar de rara, a síndrome de Haff, que se popularizou como “doença da urina preta” tem sido relatada em várias regiões do Brasil, inclusive provocando morte.

A infectologista Ana Raquel Seni, (foto) do Sistema Hapvida, explica que, na verdade, trata-se de uma intoxicação alimentar causada por uma toxina encontrada em alguns peixes e crustáceos. É uma doença aguda, cujos sintomas aparecem em até 24 horas após o consumo do alimento contaminado. Entre eles, estão urina de coloração preta, dor muscular intensa, fraqueza, dificuldade para andar, falta de ar e sobrecarga do rim, o que pode evoluir para insuficiência renal e levar o paciente a precisar de hemodiálise.

A urina escurecida é uma consequência da liberação pelo corpo de uma proteína chamada mioglobina, presente nos músculos. Quando a pessoa desenvolve a síndrome de Haff, seus músculos entram em destruição e liberam essa substância, que é tóxica para os rins. A médica esclarece que não há um tratamento específico para a doença. O que se faz é cuidar dos sintomas. “Recomendamos o tratamento dos sintomas, com analgésico para as dores musculares, e tratamento para a insuficiência renal, como hidratação e diuréticos, e até hemodiálise quando a doença é mais grave”, comenta.

Por estar associada ao consumo de pescado e pela gravidade, a “doença da urina preta” merece atenção extra na hora da escolha de peixes e crustáceos. Além de se certificar de que o produto está fresco, a médica orienta a população a se informar sobre a procedência, assim como condições de transporte e armazenamento, principalmente a temperatura. Mesmo assim, não há como identificar, com segurança, se um peixe está ou não contaminado, o que tem levado muitas pessoas a deixar de consumir o alimento.

 

 

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