Saúde

Educação menstrual causa impactos positivo na saúde e no bem-estar

 

 

Mais de 60% das jovens brasileiras que menstruam já deixaram de ir à escola por constrangimentos ligados à menstruação

 

Embora seja um processo natural, a menstruação ainda é considerada um tabu por grande parte da população e, com isso, um tema que causa constrangimento entre as adolescentes. Segundo uma enquete sobre saúde e dignidade menstrual realizada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) em 2021, mais de 60% das jovens brasileiras que menstruam já deixaram de ir à escola por esse motivo. 

O mal-estar sobre o assunto também incomoda quem não menstrua, já que 58% dos entrevistados disseram que já presenciaram situações de constrangimento envolvendo o assunto. É nesse contexto que a educação menstrual aparece como prioridade para auxiliar mulheres e homens a vincularem esse processo do corpo feminino a algo positivo, como uma questão de saúde e bem-estar.  

Além de trazer a desmistificação sobre os sangramentos vaginais e a compreensão mais detalhada sobre o tema, a educação menstrual oferece ainda orientações sobre ginecologia, como a importância dos exames de rotina e o contato com profissionais da área a partir da primeira menstruação, a fim de entender mais sobre o próprio ciclo menstrual. Essas são recomendações do Ministério da Saúde, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e de outras associações médicas regionais sobre o assunto. 

 

O que é educação menstrual?  

 

A educação menstrual é uma linha de conhecimento que busca levar informação para a população por meio de processos informativos, educativos e lúdicos sobre os ciclos menstruais, o conhecimento sobre o corpo e a busca por políticas públicas que garantam a dignidade menstrual.  

É por esse motivo que o debate sobre pobreza menstrual anda lado a lado com essa temática. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o acesso à higiene menstrual é tido como um direito e, por isso, deve ser tratado como uma questão de saúde pública e de direitos humanos.   

No entanto, de acordo a pesquisa realizada pelo Unicef, entre as adolescentes brasileiras que menstruam, 35% afirmaram que já passaram por alguma dificuldade por não ter acesso a absorventes, copinhos, água ou outra forma de cuidar da higiene menstrual. Para tentar frear essa número, o Sistema Único de Saúde (SUS) deve começar a distribuir absorventes gratuitos para atender pessoas de baixa renda. 

Porque é importante falar sobre menstruação 

 

A falta de debate sobre o assunto ajuda a fomentar noções de que a menstruação não é um tema importante. Mas segundo os conceitos da educação menstrual, abrir espaços de conversa sobre o tema, facilitar o acesso a itens de higiene e levar conhecimento para homens e mulheres é uma forma de trazer o reconhecimento da menstruação como um sinal de saúde. O contato com temáticas ainda na infância é uma forma de naturalizar a relação com o próprio corpo. 

Dados da enquete realizada pelo Unicef e UNFPA destacam que a temática não faz parte da vida escolar dos jovens brasileiros. Cerca de 71% disseram que nunca tiveram aulas, palestras ou rodas de conversas sobre o assunto nas escolas. A pesquisa revelou que as mães são as principais responsáveis por introduzir noções sobre menstruação, sendo as primeiras a trazer o assunto em pauta em 55% dos casos.  

Sem informação, a ideia de que o sangue do ciclo menstrual é sujo e que, por esse motivo, se torna algo nojento aumenta a cada dia. O uso do termo “ficar de chico”, por exemplo, para se referir a esse período, vem da imagem de sujeira, pois está relacionado ao chiqueiro dos porcos.   

Iniciativas que ajudam a introduzir o debate sobre educação menstrual  

 

A necessidade de introduzir a educação menstrual na vida da população tem feito com que iniciativas surgissem em diferentes setores. Além de ONGs que buscam levar o assunto como pauta principal e auxiliar jovens contra a pobreza menstrual, livros e filmes trazem a temática de forma leve e didática.

A doutora em Ciências em Saúde Pública pela USP, Bia Fiorreti, lançou em 2021 o livro “Os Segredos de Alice no País das Maravilhas: uma Viagem Através do Corpo Feminino – Hormônios, Menstruação e Autoconhecimento” pela editora Senac São Paulo, para abordar o assunto por meio da literatura.

A obra faz um paralelo entre a jornada da clássica personagem Alice no País das Maravilhas pelo buraco do coelho e o processo que o corpo adolescente atravessa durante a puberdade até a menstruação. O objetivo do livro, segundo a autora, é abrir o debate de forma acolhedora, a fim de defender que compreender o próprio ciclo menstrual pode diminuir a vulnerabilidade e ajudar no processo de autoconhecimento.

Outra iniciativa que tem movimentado as redes sociais e traz o debate sobre a menstruação na adolescência de forma leve é o filme da Pixar “Red: Crescer é uma fera”, lançado em 2022 na plataforma de streaming Disney Plus. No desenho, a personagem principal Mei, durante seu processo hormonal, sempre que se sente emotiva se transforma em um panda-vermelho gigante.

Na manhã em que a primeira transformação acontece, a jovem se esconde no banheiro, enojada com a mudança que acaba de perceber em seu corpo. Depois de um tempo, sua mãe lhe faz uma pergunta sutil: “A peônia vermelha floresceu?”. A delicadeza vai embora quando Ming entra no banheiro com uma pilha de absorventes e analgésicos para ajudar a filha.

A ideia do filme é fazer uma metáfora de como as mulheres se sentem ao enfrentar a chegada das grandes mudanças físicas e mentais que a puberdade acarreta.

 

 

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