27/08/2026
Entre picanhas e bacalhaus, o dinheiro da APM vai literalmente pro ralo e pro lixo
Professor Duzão apresenta notas fiscais e questiona por que APMs de escolas e creches municipais estão arcando com a compra de materiais básicos de limpeza
Enquanto a cena política de Santa Cruz do Rio Pardo é tomada pela discussão entre o prefeito Dr. Otacílio e o presidente da Câmara, Juninho Souza, sobre gastos de aproximadamente R$ 500 com picanha e bacalhau, o vereador Professor Duzão decidiu levar o debate para outro lugar: as escolas e creches municipais.
Em entrevista concedida nesta quinta-feira (27) à Rádio Difusora, o vereador apresentou notas fiscais que, segundo ele, comprovam que Associações de Pais e Mestres (APMs) de unidades da rede municipal estão utilizando recursos próprios para adquirir materiais básicos necessários ao funcionamento das escolas.
Entre os produtos adquiridos estão materiais de limpeza, vassouras e sacos para lixo, despesas que, segundo o vereador, deveriam ser analisadas diante da responsabilidade do Poder Público pelo funcionamento e manutenção das unidades municipais de ensino.
Duzão afirma que não pretende entrar na disputa política entre o prefeito e o presidente da Câmara.
“Eu não tenho nada a ver com a briga da picanha e do bacalhau. Minha preocupação é outra. Enquanto eles discutem quem vai devolver R$ 500, eu quero saber quem está pagando pelas vassouras, pelos sacos de lixo e pelos materiais de limpeza das nossas escolas”, afirmou o vereador durante a entrevista.
Dinheiro das APMs
As notas fiscais apresentadas pelo vereador colocam uma questão no centro do debate: por que recursos arrecadados ou administrados pelas APMs estão sendo utilizados para comprar materiais básicos de limpeza e manutenção das unidades municipais?
A questão ganha ainda mais relevância porque as APMs possuem recursos próprios e também podem administrar valores provenientes de programas específicos destinados às escolas. Segundo Duzão, é necessário identificar exatamente a origem de cada recurso e verificar quais despesas estão sendo assumidas pelas associações.
O vereador defende que a Prefeitura informe detalhadamente quais materiais são fornecidos regularmente pela administração municipal e quais acabam sendo adquiridos pelas próprias escolas.
“Não estou dizendo que uma APM não possa realizar uma compra. O que estou questionando é outra coisa: precisamos saber se o Município está cumprindo integralmente a sua obrigação de garantir às escolas os materiais necessários para funcionar. Se a escola precisa comprar vassoura, saco de lixo e material de limpeza com dinheiro da APM, precisamos saber por quê”, explicou.
Do bacalhau à vassoura
A polêmica ganhou força justamente no momento em que prefeito e presidente da Câmara passaram a trocar acusações públicas envolvendo despesas com alimentação.
O prefeito Dr. Otacílio confirmou que realizou uma refeição no restaurante Rancho 53, às margens da Rodovia Castelo Branco, durante seu retorno de São Paulo, e anunciou que pretende devolver aproximadamente R$ 500 aos cofres municipais.
O prefeito também desafiou Juninho Souza a fazer o mesmo em relação à despesa de aproximadamente R$ 500 com uma refeição que teria incluído picanha, realizada em Ourinhos.
Para Professor Duzão, entretanto, a discussão não deveria se limitar à devolução de uma ou outra despesa.
“A questão não é picanha ou bacalhau. A questão é prioridade. Quero saber se o dinheiro público está chegando onde realmente precisa chegar. Porque, enquanto se discute uma conta de restaurante de R$ 500, temos documentos mostrando escola comprando vassoura e saco de lixo com dinheiro da APM.”
Vereador quer documentos das escolas
Diante das notas fiscais apresentadas, Duzão pretende ampliar a fiscalização sobre os recursos movimentados pelas APMs das escolas e creches municipais.
Entre as informações que deverão ser solicitadas estão as atas das APMs, valores arrecadados, despesas realizadas, notas fiscais das compras e a origem dos recursos utilizados, além de informações sobre eventuais verbas recebidas pelas unidades por meio do PDDE e do PDDE Paulista e a respectiva utilização desses recursos.
O objetivo, segundo o vereador, é descobrir se existe um padrão na rede municipal e qual é o volume de recursos que as APMs estão destinando à aquisição de materiais que deveriam ser disponibilizados pela administração.
A fiscalização também deverá buscar identificar se existe orientação ou determinação da Secretaria Municipal de Educação para que as APMs assumam despesas dessa natureza.
“Quem está pagando a conta?”
A discussão, portanto, deixa de ser apenas sobre uma nota de restaurante e passa a envolver uma pergunta mais ampla sobre as prioridades da administração municipal.
Se o Município tem recursos para custear suas despesas, por que escolas e creches precisam utilizar dinheiro das APMs para comprar materiais básicos de limpeza?
Essa é a pergunta que Professor Duzão afirma querer responder por meio da fiscalização.
“Não quero saber quem comeu picanha ou quem comeu bacalhau. Quero saber quem está pagando a conta das escolas. Porque o contribuinte já paga impostos. E os pais não deveriam ter que substituir o Município na compra de materiais básicos para manter uma escola funcionando”, declarou.
Enquanto Otacílio e Juninho Souza continuam trocando provocações sobre picanhas, bacalhaus e devoluções de dinheiro, o vereador Professor Duzão tenta colocar uma terceira questão no centro do debate: quanto do dinheiro das APMs está sendo utilizado para manter aquilo que deveria ser obrigação da própria Prefeitura?
E, desta vez, a denúncia apresentada pelo vereador vem acompanhada de documentos: notas fiscais das compras realizadas pelas unidades escolares.